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Ricardo Amorim critica presidenciáveis: 'chovem propostas que não têm a menor chance'

por Jovem Pan, . - Atualizado em

Ricardo Amorim foi o convidado do Morning Show desta terça-feira

Ricardo Amorim foi o convidado do Morning Show desta terça-feira

Fonte: Johnny Drum/Jovem Pan

Convidado do programa Morning Show desta terça-feira (11), o economista formado pela USP, pós-graduado em Administração e Finanças Internacionais pela ESSEC de Paris e integrante do programa Manhattan Connection, da GloboNews, Ricardo Amorim, criticou algumas propostas apresentadas pelos candidatos à presidência da República: "chovem propostas que são simpáticas e que não têm a menor chance".

Uma das frentes de campanha de Ciro Gomes (PDT) é limpar o nome dos brasileiros do SPC. Entretanto, para Amorim, as coisas não são assim tão simples. "Se o Ciro ganhar a eleição, não pague mais nada, porque ele vai pagar para você. Em contraponto, todo mundo que empresta dinheiro sabe disso... se o Ciro ganhar a eleição não existe mais crédito. Se você não acredita que vai ser pago, você não empresta".

Outra medida colocada em dúvida pelo economista é a de Fernando Haddad (PT). O petista tem a proposta de zerar o imposto de renda para quem ganha até cinco salário mínimos. "Os gastos vão crescer, a receita vai cair e o dinheiro vai nascer em árvore? É o único jeito da conta fechar".

No debate entre os presidenciáveis realizado pela Gazeta, Estadão e Jovem Pan, Guilherme Boulos do PSOL disse que taxará grandes fortunas e bancos. De acordo com Amorim, isso também gera alguns problemas. "O Brasil é um dos países que mais taxa banco e isso faz com que a taxa de juros que a gente paga seja maior. Não é por acaso que o dinheiro no Brasil custe mais caro do que no resto do mundo".

Em relação às grandes fortunas, o economista lembra de um caso na Europa e outro na América do Sul. "A França teve um projeto parecido. Os milionários 'picaram a mula' para Suíça e Bélgica junto do dinheiro deles. Aliás, o mesmo aconteceu com a Venezuela. Quem tinha dinheiro foi embora, levaram os empregos, e a gente está vendo o que acontece. Primeiro saem os milionários, depois o país afunda e hoje está todo mundo na ponte, querendo cruzar para o outro lado".

Para solucionar esse problema só há uma saída: "ajeitar as contas públicas, reduzir empréstimos compulsórios e aumentar a competitividade".

Amorim também comparou a ascensão de Bolsonaro nas pesquisas, após a facada, com a morte de Eduardo Campos em 2014. "A primeira reação costuma ser grande, depois ela diminui. Quando aconteceu a morte do Eduardo Campos, muita gente disse que a Marina [Silva] levaria no primeiro turno, e ela nem chegou no segundo turno. Achei que ele [Bolsonaro] fosse subir mais nas pesquisas, ele subiu menos do que eu imaginava".

Recentemente, investidores se mostraram mais felizes com certos candidatos. "Para os investidores, se ganha Bolsonaro ou [Geraldo] Alckmin, significa que as reformas vão andar, por consequência, a recuperação econômica se aceleraria, e com aceleração da recuperação econômica, é hora de investir no Brasil".

Do outro lado da moeda, os candidatos de esquerda preocupam os investidores. "No caso de uma eventual vitória de Ciro ou Haddad, cuidado! Prepare-se. Dólar a cinco reais, talvez, esteja barato. É isso que está em jogo".

O economista também comentou a estratégia do PT de transferir os votos de Lula a Haddad. "O PT não tinha plano B. É uma estratégia de vitimização que, se para o Bolsonaro não funciona, com o Lula a coisa funciona melhor nesse sentido".

Amorim também disse que não vê Haddad no segundo turno. "Com o Ciro forte, a única chance que um dos dois tem de chegar lá, é roubar votos da Marina. Senão a esquerda divide, e o resultado de uma esquerda dividida é a festa de Alckmin para chegar no segundo turno com o Bolsonaro".

Por fim, o economista se declarou liberal e explicou o motivo do movimento estar crescendo no país. "o outro caminho não funcionou. O intervencionismo estatal levou o Brasil para onde estamos. Cada vez mais gente está conseguindo estender isso e buscando uma solução diferente".

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